Silêncio, privacidade e impacto visual passaram a dividir o mesmo espaço nos projetos atuais. Por isso, cercas vivas viraram tendência no paisagismo ao criar limites naturais que abafam ruídos, seguram poeira e reduzem a exposição externa sem recorrer a muros frios.
Mais do que função, essas barreiras verdes constroem identidade. Folhagens densas, floradas estratégicas e diferentes alturas transformam fachadas, jardins e áreas comerciais, acrescentando sombra, movimento e variação de cores ao longo do ano.
O efeito final, porém, depende da escolha correta das espécies. Clima, incidência de sol, ritmo de crescimento e manutenção precisam conversar entre si. Assim, conhecer as características botânicas evita retrabalho, controla custos e garante um fechamento harmônico com o entorno.
Oito espécies em alta para cercas vivas
Arquitetos e jardineiros buscam combinações que atendem segurança e design. Porém, alturas, ciclos e toxicidade exigem planejamento.
A seguir, oito opções reúnem barreira, cor e volume, com origens que vão da Ásia ao Mediterrâneo, bem como da América do Sul à América do Norte. Cada espécie tem usos e se adapta a microclimas específicos.
1. Pingo de ouro
Tem origem na América do Sul, no Caribe e no México, com folhas verde-limão e nuances douradas. Apesar de atingir seis metros, contorna canteiros como cerca baixa. Produz flores azul-arroxeadas e permite cultivo ao sol, inclusive em temporadas chuvosas.
Foto: Reprodução
2. Buxinho
Vem da Ásia e do Mediterrâneo, cresce lentamente e mede de dois a cinco metros. Ideal para toparia, com folhas verde-escuras sob sol ou meia-sombra. Entretanto, é tóxica: contém alcaloides que causam distúrbios gástricos e tremores.
3. Murta (murta-de-cheiro)
Alcança até sete metros, fecha bem com folhas pequenas e aceita podas artísticas. Prefere luz intensa ou moderada. Além disso, oferece flores brancas perfumadas ao longo do ano, adaptando-se a climas tropicais e subtropicais.
4. Azaleia
Nativa da Ásia, especialmente do Japão, apresenta folhagem verde-escura e flores vermelhas, rosas, vinho, brancas, amarelas e lilases. Mantém caráter perene e floresce no outono e inverno, preferindo temperaturas frias e amenas.
5. Photinia vermelha
Reúne espécies de árvores e arbustos pequenos, com origem na Ásia e na América do Norte. As folhas vermelho-acobreado animam o cenário. Pode ficar ao sol, mas responde melhor ao frio; no calor, prefira sombra.
Foto: Wikimedia Commons
6. Laurotino
Arbusto lenhoso do Mediterrâneo, forma copa arredondada e “buquês” naturais. Produz flores brancas e avermelhadas, de fragrância suave, e frutos levemente azulados. Entretanto, esses frutos são tóxicos para humanos e animais. Tolera frio e calor em sol pleno.
7. Bambu japonês (metake)
Ergue hastes retas de até cinco metros, cria barreiras eficientes contra poeira e som e produz cercas fechadas. Adapta-se ao sol e à sombra. Suas folhas verde-escuras valorizam churrasqueiras, lounges, piscinas e jardins.
8. Camélia
Destaca-se por flores vermelhas, brancas, lilás ou rosas e compõe alamedas. Não aprecia calor excessivo. Assim, no Brasil e em climas tropicais, mantenha baixa luminosidade e solo úmido para preservar vigor e estabilidade.
Foto: Reprodução/Facebook
Segurança e toxicidade
Algumas escolhas pedem cautela em áreas com crianças e pets. O buxinho contém alcaloides capazes de provocar distúrbios gástricos e tremores, enquanto os frutos do laurotino também apresentam toxicidade. Portanto, posicione essas espécies fora de alcance.
Essas oito espécies oferecem soluções para diferentes objetivos, de barreira a cor. Ajuste a seleção ao clima local, ao regime de luz e à rotina de podas. Assim, a cerca viva reforça proteção, reduz poeira e ruído e valoriza a composição do projeto.


