Geração Z em alerta: jovens estão perdendo uma habilidade humana criada há 5.500 anos

Especialistas alertam que a Geração Z está perdendo a fluência na escrita à mão, uma habilidade desenvolvida há milhares de anos.



A humanidade levou milhares de anos para desenvolver uma das suas capacidades mais transformadoras: a escrita. Desde os primeiros símbolos gravados em argila até os alfabetos modernos, escrever sempre foi mais do que registrar palavras, foi uma forma de organizar o pensamento, transmitir conhecimento e construir civilizações.

No entanto, especialistas alertam que a Geração Z pode estar se afastando dessa habilidade ancestral, cultivada há mais de 5.500 anos.

Dados recentes indicam que uma parcela significativa de jovens enfrenta dificuldades não apenas com a caligrafia, mas também com a comunicação escrita estruturada. Estima-se que cerca de 40% não sejam plenamente fluentes na escrita manual, um fenômeno que preocupa educadores, linguistas e pesquisadores ao redor do mundo.

Da linguagem ancestral à escrita moderna

Todos os seres humanos compartilham algo único no reino animal: a linguagem complexa. De acordo com a linguista Maggie Tallerman, em entrevista à BBC Radio 4, embora a linguagem falada possa ter surgido há dezenas ou até centenas de milhares de anos, a linguagem escrita é um marco relativamente recente na história da humanidade.

O primeiro sistema conhecido, a escrita cuneiforme, surgiu há aproximadamente 5.500 anos, permitindo que ideias, leis, histórias e conhecimentos fossem preservados além da memória oral. Desde então, escrever tornou-se uma habilidade central na educação, na ciência e na organização social.

Por que a Geração Z encontra dificuldade para escrever à mão?

Foto: Shutterstock

Segundo especialistas, a dificuldade enfrentada pela Geração Z não é fruto de desinteresse, mas de mudanças profundas no ambiente em que esses jovens cresceram.

Nascidos em um mundo dominado por telas, teclados e comunicação instantânea, muitos tiveram pouco contato com práticas tradicionais de escrita.

A professora Nedret Kiliceri, em entrevista ao Türkiye Today, observa que estudantes universitários demonstram caligrafia irregular, baixa legibilidade e desconforto físico ao escrever.

“O contato precoce e contínuo com dispositivos digitais reduziu significativamente o tempo dedicado ao papel e ao lápis”, explica.

Além da escrita manual, outro ponto crítico é a dificuldade de desenvolver textos longos e ideias complexas. Muitos jovens preferem frases curtas, mensagens diretas e textos condensados, um estilo fortemente influenciado pelas redes sociais e aplicativos de mensagens.

O impacto direto da escrita digital no aprendizado

Um estudo conduzido pela Universidade de Stavanger, na Noruega, revelou que após apenas um ano focando exclusivamente na escrita digital, cerca de 40% dos estudantes perderam fluência na caligrafia.

Esses jovens relataram cansaço ao escrever à mão, menor controle motor e dificuldade para manter textos legíveis por longos períodos.

Embora a Geração Z demonstre maior capacidade de síntese e rapidez na comunicação, especialistas apontam que isso ocorre, muitas vezes, em detrimento da clareza, profundidade e organização do pensamento escrito.

O que dizem os próprios jovens

Curiosamente, a preocupação não parte apenas de educadores. Em fóruns como o Reddit, membros da própria Geração Z relatam a sensação de estarem “desaprendendo” a escrever.

Muitos associam essa perda ao estresse acadêmico, à pressão por produtividade e a um sistema educacional que privilegia resultados rápidos em detrimento do desenvolvimento individual.

Foto: iStock

É possível recuperar essa habilidade milenar?

Especialistas defendem que a solução não está em abandonar a tecnologia, mas em adotar um modelo híbrido, que combine escrita digital e escrita manual.

Reservar momentos específicos para escrever à mão pode fortalecer a memória, a concentração e a capacidade de organizar ideias.

Afinal, habilidades que deixam de ser usadas tendem a se enfraquecer. Se nenhuma ação for tomada, a humanidade corre o risco de enfraquecer uma competência que levou milênios para ser construída, e que continua sendo essencial para o pensamento crítico, a educação e a comunicação profunda.




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