A ideia de que gatos sempre caem de pé e vivem múltiplas vidas atravessa gerações, mas a ciência resolveu testar esses mitos com dados reais. Pesquisadores em Londres decidiram medir, com precisão, quanto tempo os felinos vivem e o que realmente influencia essa trajetória.
O estudo foi conduzido pelo Royal Veterinary College, em parceria com a Universidade Nacional Chung Hsing, de Taiwan, e analisou o histórico de 7.396 gatos que morreram no Reino Unido entre 2019 e 2021. O resultado vai além da curiosidade e conversa diretamente com quem convive com um gato em casa.
Para garantir consistência, os cientistas aplicaram tábuas de mortalidade por idade e condição de saúde, excluindo óbitos extremamente precoces.
Segundo o pesquisador Kendy Teng, a longevidade felina não é apenas uma questão de sorte ou genética. Ajustes em variáveis específicas, como ambiente, cuidados preventivos e manejo diário, podem estender a vida desses animais de forma concreta.
Impacto de idade, raça e gênero
A equipe organizou os dados por idade, raça e gênero para comparar padrões de sobrevivência, depois cruzou características físicas com resultados de vida, de modo a apontar fatores ajustáveis no manejo diário. Assim, os autores buscaram evidências úteis para decisões clínicas e domésticas.
O estudo apontou diferença por gênero: em média, gatas vivem 1,33 anos a mais que machos. Já a castração trouxe ganho de sobrevida, possivelmente por reduzir doenças do aparelho reprodutivo e comportamentos arriscados, como fugas e brigas.
No peso, os autores calcularam uma correlação sensível: a cada 100 gramas acima ou abaixo da média específica de raça e gênero, a expectativa varia 0,02 ano. Portanto, dieta equilibrada e monitoramento evitam obesidade ou desnutrição, que encurtam a vida e afetam a qualidade.
Onde os gatos vivem mais
A comparação internacional destacou três países com desempenho superior. O Reino Unido, os Estados Unidos e o Japão lideram a expectativa de vida felina, provavelmente pelo ambiente, pela qualidade do atendimento veterinário e por práticas de cuidado consistentes.
Raças com expectativa de vida mais alta
Os números por raça pedem cautela, pois derivam de uma amostra relativamente pequena e restrita ao Reino Unido. Ainda assim, eles oferecem um retrato comparativo claro. A seguir, veja as médias de expectativa de vida, em anos, segundo o levantamento.
- Burmês – 14,4 anos
- Birmanês – 14,4 anos
- Mestiço ou vira-lata – 11,9 anos
- Siamês – 11,7 anos
- Persa – 10,9 anos
- Ragdoll – 10,3 anos
- Norueguês da Floresta – 10,0 anos
- Maine Coon – 9,7 anos
- Azul Russo – 9,7 anos
- Britânico – 9,6 anos
- Bengal – 8,5 anos
- Sphynx ou egípcio – 6,7 anos