Chamativos à primeira vista, os gatos laranja despertam curiosidade que vai além da estética. Estudos em genética e observações comportamentais ajudam a entender por que esses felinos se destacam em casas e abrigos.
Ao cruzar ciência e percepção cotidiana, especialistas esclarecem mitos sobre cor, tamanho e temperamento.
Pesquisas indicam padrões recorrentes que sustentam essa notoriedade. A maior presença de machos, por exemplo, tem base genética, enquanto a sensação de porte mais robusto surge da combinação entre cor, listras e conformação corporal.
Relatos de maior sociabilidade aparecem com frequência em análises comparativas.
Outros fatores menos óbvios também entram na equação. A influência da temperatura no desenvolvimento da pelagem e o desenho rajado, quase como uma marca registrada, reforçam a identidade desses animais. Assim, ciência e observação se encontram para explicar por que eles dificilmente passam despercebidos.
Os segredos por trás dos gatos laranja
Pesquisadores localizaram a mutação da pelagem laranja no cromossomo X, o que altera as probabilidades por sexo. Como os machos são XY, uma única cópia ativa a cor. Estimativas situam em cerca de 80% a proporção masculina entre gatos tigrados laranjas.
Já as fêmeas exigem duas cópias, algo raro. Com apenas uma, surge o padrão tricolor, conhecido como tartaruga ou “escaminha”.
Por que muitos parecem maiores
Machos tendem a ter um corpo mais robusto do que as fêmeas, o que molda a percepção pública sobre os laranjas. Como a maioria deles é macho, muitas pessoas concluem que todos são maiores. Contudo, as fêmeas laranjas costumam ser menores que as fêmeas de outras raças.
Extroversão é uma marca
Gatos laranjas ganharam reputação de extrovertidos e afetuosos com pessoas. A literatura científica, entretanto, ainda não provou relação causal entre cor e temperamento.
Um pesquisador sugeriu que machos mais sociáveis podem conquistar maior sucesso reprodutivo em certos locais e, possivelmente, herdar comportamentos junto com genes de cor.
Temperatura corporal
A cor também conversa com o ambiente em algumas raças, embora o efeito não seja exclusivo dos laranjas. Uma mutação na enzima tirosinase modula a produção de melanina de acordo com a temperatura corporal.
A Dra. Saskia Schneider explicou à revista PetBook: “Em regiões mais quentes do corpo, a enzima está inativa — nessas áreas, a pelagem permanece clara. Em áreas mais frias, como orelhas, patas, rosto e cauda, a produção de melanina é ativada e a pelagem fica significativamente mais escura.”
Listras e identidade individual
Cada listra laranja funciona como uma identidade visual única, comparável a impressões digitais. O pigmento feomelanina gera faixas que variam do creme ao vermelho, definindo o mosaico.
Pequenas diferenças de timing durante a formação do padrão, que combinam programação genética e acaso, resultam em listras irreplicáveis.
Ainda há muito a descobrir
Esses achados integram genética, percepção e ecologia comportamental para explicar por que gatos laranjas se destacam. Contudo, pesquisas futuras serão necessárias para esclarecer a ligação entre genes de cor e comportamento, hoje ainda hipotética.
Enquanto isso, tutores e criadores ganham informações preciosas para interpretar tamanho, sociabilidade e variações de cor desses animais. Nesse cenário, ciência e observação cotidiana se complementam ao desvendar esses felinos vibrantes.