Falar em qualidade de vida vai muito além de renda. É o que demonstra o Índice de Progresso Social (IPS), criado pela organização sem fins lucrativos Social Progress Imperative (SPI), fundada por Michael Porter, professor da Harvard Business School.
Na edição de 2024 do estudo, algumas cidades brasileiras chamaram atenção pelos baixos resultados. Entre elas, Uiramutã, em Roraima, que obteve pontuação de 37,63 em uma escala de 0 a 100.
Outros municípios, como Alto Alegre (RR), Trairão (PA) e Bannach (PA), também apresentaram índices inferiores a 40, ocupando as últimas posições no ranking.
Segundo os dados, essas cidades enfrentam desafios estruturais profundos. Falta de infraestrutura adequada, acesso precário a serviços públicos e dificuldades para inclusão social e econômica explicam boa parte das notas baixas observadas no levantamento.
Como o IPS avalia o bem-estar das cidades?
Para calcular o índice, o IPS utiliza mais de 50 indicadores nacionais e internacionais. No Brasil, a edição mais recente reuniu dados do IBGE, Datasus e Inep. Os critérios estão divididos em três grandes grupos: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.
Cada dimensão inclui elementos como acesso à saúde, segurança, nutrição, moradia digna, acesso à educação e liberdade individual. Essa abordagem permite um retrato mais fiel sobre as condições de vida da população, indo além da renda per capita ou do PIB local.
Entre os três grupos, o que costuma ter melhores pontuações é o de necessidades básicas. Já a dimensão de oportunidades — que envolve mobilidade social, tolerância e acesso à educação superior — é a que mais desafia as cidades, especialmente as situadas em regiões mais remotas.

O que os dados realmente mostram?
Estar entre os últimos colocados no IPS não significa que uma cidade esteja condenada ao fracasso. Pelo contrário: os dados revelam onde é preciso agir com urgência. O levantamento pode ser um instrumento valioso para orientar políticas públicas e direcionar investimentos sociais de forma mais estratégica.
Além disso, o estudo evidencia desigualdades históricas entre regiões brasileiras. Questões como distâncias geográficas, falta de infraestrutura básica e ausência de incentivos ao desenvolvimento regional são obstáculos que ainda impedem o avanço de muitos municípios.
Reconhecer esses desafios é o primeiro passo para enfrentá-los, com base em dados concretos, planejamento eficiente e direcionamento estratégico.