Geografia do Espírito Santo para Concursos

Principais características de um dos menores estados brasileiros, que compõem a região sudeste do país.

Em meio os editais de concursos públicos e processos seletivos estaduais e municipais não é incomum encontrar a disciplina de geografia. Por se tratar de certames regionais, obviamente, questões a respeito do estado estarão presentes no conteúdo programático.

Tendo em vista os concurseiros capixabas que estão se preparando para estes certames, reunimos em um único artigo os principais pontos da matéria de geografia do Espírito Santo para concursos públicos.

Acompanhe de forma simplificada e resumida, além do contexto de formação geográfica, os principais pontos relacionados aos aspectos naturais, economia e cultura.

Formação do território e contexto histórico

Em 23 de maio de 1535 o fidalgo português Vasco Coutinho desembarcou na capitania doada a ele pela coroa portuguesa. Como era um domingo, oitava de Pentecostes, ele então, deu o nome ao local de Espírito Santo. O local onde hoje está uma das unidades federativas do Brasil ainda guarda o nome daquela data.

A capitania, então, foi dividida em sesmarias e doadas a cada um dos 60 colonizadores que vieram com ele. Estes ficaram incumbidos, além de colonizar, de fomentar a agricultura e produtividade das porções de terra.

A Vila que era o núcleo de povoação era pouco segura e sofreu uma série de ataques de índios nativos daquela região. Por isso, em 1549, Vasco Coutinho buscou um local mais seguro para estabelecer o núcleo da capitania. Ele encontrou uma ilha montanhosa, que recebeu o nome de Vila Nova do Espírito Santo. Em contraposição a isso, o núcleo inicial recebeu o nome de Vila Velha.

Apesar disso, os embates contra os índios continuaram com a mesma intensidade. Até que em 8 de setembro de 1551, os portugueses saíram vitoriosos de uma batalha. Para comemorar o feito, o local recebeu o nome de Vila da Vitória, e a data tornou-se a mesma da fundação da cidade.

Além dos indígenas, o território, que ainda englobava uma parcela das terras baianas, também foi alvo de muitos invasores estrangeiros, como os holandeses, franceses e ingleses.

Vasco Coutinho firmou-se como donatário da capitania durante 25 anos. Durante este tempo, além de fundar as duas vilas, construiu igrejas, incluindo o Igreja do Rosário que ainda existe na cidade de Vila Velha e os primeiros engenhos de açúcar, que durante 300 anos foram o principal produto da economia do estado, até que foi substituído pela cafeicultura.

Entretanto, a economia baseada na agricultura rapidamente enfraqueceu, de modo que o controle da capitania foi retomado pela coroa portuguesa. Assim, foi somente em 1810 que o Espírito Santo tornou-se autônomo.

Com a ascensão do ciclo do café, o local começou a atrair uma série de imigrantes europeus, vindos de uma diversidade de países. Em 1888, após a abolição da escravatura, este processo tornou-se ainda mais intenso, e em 1892 e 1896, ocorreu o ápice da vinda de italianos para trabalhar nas lavouras.

Principais características do estado do Espírito Santo

O Espírito Santo, cuja sigla é ES, é um dos quatro estados que foram a região sudeste do país. É o quarto menor estado do Brasil, com área de 46 095,583 km². A nordeste faz divisa com a Bahia, a leste com o oceano Atlântico, enquanto a oeste está Minas Gerais e ao sul, o Rio de Janeiro.

O gentílico do estado é espírito-santense ou capixaba, este último, de origem tupi, significa terra boa para lavoura.  O estado está localizado a oeste do Meridiano de Greenwich e a sul da Linha do Equador, com fuso horário de menos três horas em relação à hora mundial GMT.

Ao todo, o município possui 78 municípios, divididos em quatro mesorregiões e 13 microrregiões:

Central Espírito-Santense

  • Vitória
  • Afonso Cláudio
  • Guarapari
  • Santa Teresa

Litoral Norte Espírito-Santense

  • Linhares
  • Montanha
  • São Mateus

Noroeste Espírito-Santense

  • Barra de São Francisco
  • Colatina
  • Nova Venécia

Sul Espírito-Santense

  • Alegre
  • Cachoeiro do Itapemirim
  • Itapemirim

Bandeira do Espírito Santo

Bandeira do Espírito Santo

A bandeira do Espírito Santo foi adotada em 24 de abril de 1947. Ela é composta por três faixas horizontais, nas cores azul celeste, branco e rosa, que são também as cores oficiais do estado.

Essas cores remetem às vestes de Nossa Senhora da Penha, que é a padroeira do estado. O azul celeste representa harmonia e suavidade, enquanto o branco representa paz e o rosa, alegria e felicidade.

No centro da bandeira, está presente a frase “TRABALHA E CONFIA”, cuja autoria é de Jerônimo Monteiro. A inspiração dela veio da doutrina de Santo Inácio de Loyola, que é o fundador da Companhia de Jesus, e significa “Trabalha como se tudo dependesse de ti e confia como se tudo dependesse de Deus”.

População

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2017 a população do Espírito Santo era de 4.016.356 habitantes, o que o coloca como o décimo quinto estado em população, ou 1,9% do total do país.

Um aspecto positivo do estado, é que ele é o segundo melhor colocado em relação a expectativa de vida, de acordo com dados do IBGE, também de 2017. A média de vida atual dos capixabas é de 78,2 anos, maior até mesmo do que a brasileira, que é de 75,8 anos.

Outro indicador socioeconômico que o estado é um destaque positivo, é em relação a mortalidade infantil. O Espírito Santo registra o menor índice do Brasil, com 8,8 óbitos a cada mil crianças nascidas vivas. Ademais, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é 0,740, o que considerado elevado.

Vitória e principais cidades

A capital do Espírito Santo é a cidade de Vitória, e no Brasil, é uma das poucas exceções em que a capital não é a maior cidade do estado. A cidade que possui a maior extensão territorial e maior número de habitantes é Serra.

Vitória é uma das cidades mais antigas do país, fundada em 1551. Com  363 140 habitantes, tem a quarta maior população do estado. É uma das três capitais brasileiras onde o centro administrativo está localizado em uma ilha.

Veja outras cidades com grande importância para o estado:

  • Cariacica
  • Vila Velha
  • Guarapari
  • Cachoeiro do Itapemirim
  • Colatina
  • Linhares
  • Serra

Economia

O Espírito Santo faz parte da região sudeste, que é responsável por mais de 56% do PIB do Brasil. Ainda que o PIB do estado, que é de R$ 128.784 bilhões, seja o menor da região, ele contribui significativamente com o PIB total do país.

Mais da metade do PIB capixaba é composto pelo setor de serviços (56,3%), seguido pela indústria (34,5%) e agropecuária (9,3%).

O setor de serviços está consolidado no estado, principalmente por conta da presença de dois portos, o de Tubarão e Vitória, ambos na capital. Este último é conhecido por ser um dos mais movimentados do Brasil.

Na agricultura, é o segundo maior produtor de café da região sudeste, ficando atrás apenas de Minas Gerais. Outros produtos que se destacam são cana-de-açúcar, feijão, arroz, maracujá, limão, uva, mamão, abacaxi, morango, entre outros.

A indústria, que é responsável por outra boa parcela do PIB, se sobressai principalmente nos setores siderúrgico, alimentício, têxtil e madeireiro.

O extrativismo também é muito marcante. Em 2002 foram descobertas grandes reservas petrolíferas, que colocaram o estado na segunda posição entre aqueles que possuem as maiores reservas do país. Na produção de petróleo e gás natural, só fica atrás do Rio de Janeiro.

Além disso, a exportação de granito, ferro e aço  é muito significativa.

Relevo

O relevo do Espírito Santo, de modo geral, é marcado por duas formações com bastante contraste, a região litorânea e a do interior. As três formações naturais de maior destaque são o tabuleiro costeiro, região serrana e a planície costeira.

A maior parte do território, aproximadamente 40%, é composto pelas planícies costeiras, onde a altitude não ultrapassa os 15m. Esta formação caracteriza as cidades litorâneas, como duas das principais, Vitória e Vila Velha.

A região serrana do estado está localizada mais ao interior, predominantemente nos limites entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Na região, as altitudes são elevadas, tendo como um dos principais exemplos a Serra do Caparaó.

Também nessa região, está localizado Pico da Bandeira, que é o ponto mais alto do Espírito Santo e o terceiro mais alto do Brasil, com altitude de 2.980m.

Já o tabuleiro costeiro está localizado entre estas duas regiões, as altitudes são baixas, geralmente até 45m, e a formação é de sedimentos continentais de formação de barreiras.

Clima

O clima predominante nos áreas litorâneas do estado é o tropical úmido, o que se justifica por conta da localização do território e da influência da maritimidade. No interior, a predominância é do tropical de altitude.

No primeiro, as principais características são as as intensas chuvas no verão é a seca do inverno. Além disso, as temperaturas são altas, com médias acima dos 22ºC. Já os índices pluviométricos ultrapassam os 1.250m.

No segundo, em função das altitudes elevadas a temperatura tende a cair, registrando invernos rigorosos, com temperaturas anuais médias de 18ºC. A pluviosidade é um pouco mais alta, com índices que ultrapassaram os 1.700m.

Vegetação

Antes da alta incidência de ações humana, o território era praticamente todo coberto pela floresta tropical, chamada de Mata Atlântica, a mesma vegetação que cobria boa parte do litoral brasileiro. Praticamente 70% do estado era composto por floresta ombrófila densa.

Este tipo de vegetação é propício para a biodiversidade, tendo, portanto, uma grande quantidade de espécies, tanto na fauna, quanto na flora. São florestas densas e de grande porte, caracterizada principalmente pela umidade e pouca incidência de luz solar.

Entre as principais espécies da flora capixaba, estão as palmeiras, braúna, sucupira, jacarandá, bicuíba, tambor, orquídeas, bromélias, peroba amarela, jaúna, abricó-do-nativo, palmito-doce, araçatuba, cipós, lianas e muitas outras.

Atualmente, menos de 15% da vegetação original do Espírito Santo pode ser encontrada, principalmente por conta das atividades extrativistas no decorrer da história brasileira. Por isso, o governo do estado tem investido muito em projetos de preservação e reflorestamento.

Hidrografia

O principal rio do Espírito Santo é o rio Doce, cuja nascente está no estado de Minas Gerais e ao todo, são 977 km de extensão.

No estado há 13 bacias hidrográficas: Bacia do Rio Santa Maria, Bacia do Rio Reis Magos, Bacia do Rio São Mateus, Bacia do Rio Benevente, Bacia do Rio Barra Seca, Bacia do Rio Itaúnas, Bacia do Rio Piraquê-Açu, Bacia do Rio Doce, Bacia do Rio Itabapoana, Bacia do Rio Riacho, Bacia do Rio Jucu e Bacia do Rio Novo.

Outros rios importantes do estado são o Jucu, Mucuri, Itabapoana, São Mateus, Itapemirim e Itaúna.

Fauna

Veja abaixo alguns dos principais animais da fauna do Espírito Santo:

  • Lagarto-de-linhares
  • Beija-flor
  • Mutum-do-sudeste
  • Veado-cambuci
  • Jaó-do-litoral
  • Tartaruga-gigante
  • Papagaio-do-espírito-santo
  • Onça-parda
  • Guariba
  • Sagui-da-terra
  • Capivara
  • Paca

Comidas típicas do Espírito Santo

Assim como em outros estados do Brasil, a culinária do Espírito Santo demonstra uma mistura entre as culturas indígenas, portuguesa e africana. Por ter um amplo litoral, muitos ingredientes utilizados são característicos deste lugar, a exemplo dos frutos do mar.

Entre as principais comidas típicas do Espírito Santo, é possível citar a moqueca capixaba, torta capixaba, caranguejada, muma de siri, peroá frito e muxá ou lelê.

Situação atual e principais problemas do estado

A partir de 2006 o sistema penitenciário do estado começou a entrar em colapso. Naquela época, foram registradas uma série de rebeliões, assassinatos nos presídios e presos eram mantidos em contêineres, pois não havia celas adequadas.

Mais de dez anos se passaram e a situação continua complicada, nesse sentido. Em 2018, a superlotação nos presídios do Espírito Santo chegou a 50%. Entre 2015 e 2018, enquanto a quantidade de vagas cresceu 1,2%, o número de detentos cresceu em 19%.

Além disso, os capixabas enfrentam problemas ambientais relacionados  diretamente com a qualidade de vida da população. Em 2016 uma crise hídrica atingiu o estado, o que resultou em um período de racionamento de água.

Há, ainda, problemas relacionados a saneamento básico, o acúmulo de um pó preto vindo de indústrias siderúrgicas e o reflexo do desastre acontecido no rompimento da barragem da Samarco na cidade de Mariana, em Minas Gerais.

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