Antes do meio-dia, o corpo costuma enviar um sinal curioso: a fome não é de almoço, mas de açúcar. Entre tarefas e reuniões, a mente pede algo rápido, e os doces viram uma tentação recorrente. Esse impulso, longe de ser um acaso, segue um relógio interno bem definido.
Na França, o comportamento ganhou nome próprio: Síndrome de Souquet, ou síndrome da chouquette, em alusão ao doce popular nos escritórios. O termo leve esconde mecanismos fisiológicos claros, ligados à queda de energia e à resposta hormonal ao longo da manhã.
Oscilações de glicose, cortisol e hábitos alimentares do café da manhã influenciam esse pico de desejo. Escolhas feitas logo cedo modulam o foco, o humor e o bem-estar ao longo do dia, além de reduzirem a dependência de soluções açucaradas antes do almoço.
O relógio hormonal por trás do pico
Segundo o nutricionista Reginald Alousuch, o apetite depende de hábitos e hormônios, especialmente da grelina. Esse sinal aumenta horas após a última refeição e atinge seu pico natural entre 10h30 e 11h.
Por isso, um café da manhã pobre em proteínas e gorduras intensifica a fome. Quando alguém pula o desjejum, a janela hormonal se abre ainda mais.
Nesse momento, o corpo prioriza energia rápida e enxerga o açúcar simples como atalho. Porém, essa preferência costuma custar caro nas horas seguintes.
A doce armadilha glicêmica
Doces elevam a glicose em minutos e geram prazer, energia e alívio. Logo depois, a curva cai de forma abrupta, acarretando cansaço e irritabilidade. Esse ciclo envia uma mensagem distorcida ao cérebro e sobrecarrega o fígado.
Com isso, o organismo passa a armazenar excedentes como gordura, favorecendo a esteatose hepática, a resistência à insulina e o ganho de peso ao longo do tempo. Além disso, novas vontades por doces se repetem, perpetuando o ciclo vicioso.
Cabe destacar ainda que o metabolismo trabalha melhor durante o dia. À noite, a digestão desacelera e a tolerância a grandes cargas de carboidratos diminui. Portanto, comer pouco durante o dia para “compensar” depois costuma agravar o problema.
Planejamento alimentar: comer melhor, não menos
Nutricionistas recomendam distribuir a energia conforme a atividade do dia. De manhã e no almoço, o corpo gasta mais, portanto, refeições mais robustas fazem sentido. Já à noite, volumes altos tendem a favorecer a estocagem.
Após horas de jejum, a glicose amanhece baixa. Um café da manhã equilibrado sinaliza o início do dia e organiza a fome e a saciedade. A refeição pode incluir ovos, iogurte natural, queijos, oleaginosas, abacate e sementes.
No entanto, pular o café da manhã ou focar em alimentos refinados dispara a chamada Síndrome de Souquet e aumenta o descontrole alimentar. Estudos também associam a má qualidade do desjejum a um maior impulso por beliscos.
Lanche ideal às 11h
Nem todos precisam de lanche intermediário. A necessidade depende do intervalo entre refeições, do nível de atividade física e da percepção de fome. Quando indicado, o lanche deve reunir proteína, fibra e gordura em pequenas porções.
- Fruta acompanhada de oleaginosas
- Iogurte natural com sementes
- Ovo cozido
A vontade de doce das 11h tem base fisiológica, mas não precisa comandar as escolhas. Com planejamento, proteínas e gorduras no início do dia reduzem picos de fome e trazem estabilidade.