Uma pista pode surgir onde poucos observam: na boca. Manchas, sensibilidade e alterações na língua funcionam como alertas iniciais de uma deficiência que avança sem alarde.
A falta de vitamina B12, segundo o pesquisador Alexandre R. Marra, do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, pode evoluir para anemia e afetar o sistema neurológico.
O risco cresce justamente pela progressão lenta do quadro. Quando o diagnóstico atrasa, surgem danos mais difíceis de reverter, como formigamentos, falhas de memória e cansaço persistente.
Por isso, sinais bucais e exames de rotina ajudam a interromper o problema cedo.
Por que a vitamina B12 é tão importante
Essencial ao organismo, a vitamina B12 participa da produção de energia e do metabolismo celular. Ela atua na formação do DNA, das proteínas e das hemácias, além de sustentar o funcionamento do sistema nervoso.
A cobalamina, como também é conhecida, apoia o uso de gorduras e carboidratos pelo organismo e, ao mesmo tempo, ajuda a manter o transporte de oxigênio por meio das hemácias.
Sua absorção depende de alimentos de origem animal, como carnes, ovos, leite e derivados. Por isso, dietas restritivas, idosos e pessoas com má absorção compõem grupos de risco.
6 alerta que a boca dá
Antes do cansaço intenso, da tontura ou do formigamento nas mãos e nos pés, a boca costuma dar as primeiras pistas. Veja os desconfortos locais que podem surgir e persistir.
- Rachaduras nos cantos dos lábios (queilite angular): fissuras dolorosas, muitas vezes confundidas com infecções locais.
- Língua dolorida e inflamada (glossite): vermelha, inchada e lisa, com ardor ou queimação; em alguns casos, há perda de papilas e aspecto polido.
- Ardor ou queimação na boca: desconforto persistente sem lesões visíveis, típico da síndrome da boca ardente.
- Aftas e feridas recorrentes: surgem com frequência, doem e cicatrizam mais lentamente.
- Alteração do paladar: mudança na percepção dos sabores, redução do paladar ou gosto metálico contínuo.
- Palidez da mucosa oral: lábios e interior da boca ficam mais claros, sobretudo quando há associação com anemia.
Esses sinais funcionam como aviso, porém não fecham diagnóstico. Diante da continuidade dos sintomas, vale consultar um médico ou dentista.
Como confirmar a deficiência
Para começar, o diagnóstico exige exames laboratoriais. O profissional de saúde solicita dosagens de vitamina B12 e, quando indicado, de folato. Nesse cenário, valores baixos sinalizam necessidade de reposição.
Em casos de suspeita de má absorção, o Teste de Schilling avalia a capacidade de absorver a vitamina. Embora menos comum, permanece útil em cenários selecionados.
Quando usar comprimidos ou injeções
Quando o resultado fica abaixo de 200 pg/ml, a orientação habitual é iniciar a reposição. Assim, suplementos orais entre 1.000 e 2.000 microgramas por dia costumam ser prescritos.
Em quadros graves ou com má absorção intestinal, injeções entram no plano terapêutico. Em algumas causas, o uso torna-se contínuo.
A rapidez no reconhecimento protege o sistema nervoso de danos potencialmente irreversíveis, enquanto exames de rotina ajudam a flagrar a deficiência enquanto ainda não há queixas evidentes. Portanto, atenção aos sinais bucais e ao histórico alimentar reduz riscos e orienta intervenções seguras.