Desde abril, uma ação coordenada pelas autoridades ambientais da Austrália tem gerado repercussão mundial.
Mais de 700 coalas foram mortos a tiros por atiradores de elite a bordo de helicópteros no Parque Nacional Budj Bim, no estado de Vitória. A medida, embora controversa, teria sido adotada como resposta a um cenário de emergência ambiental.
Segundo o governo local, a região foi severamente afetada por incêndios florestais em março, comprometendo 20% da área do parque.
O abate dos animais seria uma forma de evitar que morressem de fome ou queimados, já que muitos apresentavam ferimentos graves ou estavam debilitados pela escassez de alimento.
Por que coalas estão sendo executados na Austrália?

O plano de ação foi justificado com base no “plano de bem-estar de Vitória durante desastres naturais”, que autoriza a eutanásia de animais em sofrimento extremo. No caso dos coalas, isso inclui perda de membros, queimaduras extensas, cegueira ou infecções que exijam tratamentos invasivos. A intenção seria poupar os animais de dores prolongadas.
A superpopulação na área, aliada à destruição do habitat, agravou a situação. Muitos coalas se concentraram em “ilhas de habitat” e dependem de plantações comerciais de eucalipto para se alimentar. Com o fogo e a seca, essa fonte de comida ficou comprometida, elevando o risco de mortalidade em massa.
Ainda assim, o método escolhido levanta discussões. Disparos a partir de helicópteros dificultam a avaliação precisa da condição de cada animal. Críticos apontam que os tiros podem não ser letais, ferindo mais do que matando, o que comprometeria o bem-estar que a ação pretende preservar.
Reações e questionamentos sobre a decisão
ONGs e entidades de proteção animal criticaram a ausência de aviso público antes do início da operação. Jess Robertson, da Koala Alliance, declarou ao jornal The Independent que a medida é “desprezível e cruel”, argumentando que não é possível avaliar corretamente o estado de saúde dos coalas a partir do ar.
Além disso, há quem questione a falta de alternativas. Ambientalistas sugerem que o governo poderia ter fornecido alimento suplementar, como folhas frescas de eucalipto, enquanto a floresta se regenera. Essa abordagem, segundo eles, teria evitado parte do sofrimento animal sem recorrer ao abate.
A primeira-ministra de Vitória, Jacinta Allan, afirmou que avaliações foram feitas antes da decisão e que essa foi considerada a melhor forma de lidar com a situação.
*Com informações de Revista Galileu.