Um estudo inovador das universidades de Göettingen e Edimburgo revelou um dado surpreendente sobre a autossuficiência na produção de alimentos ao redor do mundo.
Publicado na revista Nature Food do mês de maio, o levantamento esmiuçou a capacidade de 185 nações de produzirem sete grupos alimentares essenciais. O resultado foi que apenas a Guiana, na América do Sul, consegue tal feito, atendendo plenamente às suas necessidades alimentares sem depender de importações.
A pesquisa destacou a importância de fatores como clima, solo e água na produção de alimentos, desvinculando a autossuficiência da riqueza econômica de uma nação.
Embora subdesenvolvida, a Guiana desponta como um exemplo raro de completa independência alimentar. Esse achado reforça que a capacidade de produção interna não está necessariamente atrelada ao nível econômico dos países.
Guiana pode ter acompanhantes
Na lista de países mais capazes na produção de alimentos, China e Vietnã seguem logo após a Guiana, alcançando seis dos sete grupos alimentares essenciais.
Contudo, para compensar algumas deficiências, ainda dependem de importações. A pesquisa revelou também que um em cada sete países é autossuficiente em pelo menos cinco grupos alimentares, com destaque para nações sul-americanas e europeias.
Plantação de arroz na China (Foto: iStock)
E o Brasil?
O Brasil, por exemplo, consegue produzir internamente cinco dos sete grupos essenciais. Contudo, o país ainda enfrenta desafios na produção de vegetais e peixes. É uma demonstração clara de que mesmo países com grande potencial agrícola não são totalmente independentes.
Por outro lado, países como Afeganistão, Iêmen e Catar são completamente dependentes das importações alimentares. Essa dependência implica riscos elevados de vulnerabilidade a crises globais, como pandemias e conflitos.
As recentes perturbações nas cadeias de suprimento globais, como a pandemia de Covid-19 e a guerra entre Rússia e Ucrânia, ilustram bem estas ameaças.
Além disso, o estudo aponta um desequilíbrio na produção global de alimentos. Cerca de 65% das regiões produzem carne e laticínios em excesso, enquanto menos da metade planta proteínas vegetais suficientes, essenciais para uma dieta equilibrada. Esse desequilíbrio pode acarretar desafios futuros na segurança alimentar global.
