Pernambuco celebra no mês de março a Data Magna, um feriado que relembra sua histórica busca por independência em 1817, durante o século XIX. Conhecido como Revolução Pernambucana, o movimento resultou na criação de uma república que durou 74 dias dentro do território brasileiro da época.
Esse capítulo da história pernambucana destaca-se não apenas pela curta duração, mas pela intensidade das batalhas e os ideais libertários que motivaram tal revolta.
A Revolução Pernambucana de 1817 nasceu do desejo de autonomia da rica capitania de Pernambuco, então parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
Na época, a presença da corte portuguesa no Rio de Janeiro aumentou a carga tributária e gerou descontentamento, influenciado pelas ideias iluministas e abolicionistas que vinham da Europa.
Além disso, a seca de 1816 agravou a insatisfação popular, impulsionando o movimento separatista.
O que está por trás da separação de Pernambuco do restante do Brasil?
O clima de insatisfação crescia com o aumento dos impostos e o tratamento diferenciado dado aos portugueses.
A chegada da corte portuguesa ao Brasil, em 1808, trouxe infraestrutura para o Rio, mas deixou cidades como Recife e Olinda às escuras. A seca de 1816 elevou os preços dos alimentos, intensificando as tensões sociais e políticas.
Pernambuco (Foto: iStock)
Liderado por religiosos, o movimento era conhecido também como “Revolução dos Padres”, devido à articulação política dos eclesiásticos formados no Seminário de Olinda.
O “Leão Coroado” José de Barros Lima tornou-se um símbolo do levante ao resistir à prisão, desencadeando batalhas e a rendição do governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro.
Surgimento da República de Pernambuco
A Revolução Pernambucana deu origem à República de Pernambuco, influenciada pela Revolução Francesa. Sob a Lei Orgânica, previu-se a separação de poderes e a eleição de juízes, além da liberdade de culto.
Entretanto, a escravidão não foi abolida, refletindo os interesses dos líderes agrícolas. Dentre as conquistas e limitações deste período, podemos citar:
- Liberdade de imprensa proclamada pela primeira vez no Brasil.
- Residência de estrangeiros permitida, desde que aliados ao movimento.
- Liberdade de culto estabelecida, mas sem proteção a cultos de matriz africana.
Fim da república e suas consequências
Em 19 de maio, tropas portuguesas puseram fim ao sonho pernambucano. Uma força naval bloqueou o porto do Recife, e cerca de oito mil soldados tomaram a capitania. A batalha final, em Ipojuca, foi sangrenta, resultando em centenas de mortes e execuções.
Apesar da derrota, a Revolução Pernambucana permanece um marco histórico. Ela simboliza a resistência e a busca por liberdade da região.
Após o conflito, Alagoas foi desmembrada de Pernambuco como recompensa aos latifundiários leais. Esse evento se perpetua na memória pernambucana, reafirmando o espírito de autonomia e luta por direitos.
