Quase como um relógio invisível, a fome por doce costuma bater à porta antes do almoço. Em muitos escritórios e também em casas, surge o desejo quase irresistível por um chocolate ou bombom por volta das 11h.
Na França, o hábito ficou tão comum que ganhou apelidos curiosos, como síndrome de Souquet e síndrome da chouquette. O fenômeno, porém, vai além da simples vontade.
Especialistas explicam que o corpo obedece a um ritmo biológico próprio. De acordo com o nutricionista Reginald Alousuch, o apetite é regulado por hormônios e hábitos alimentares acumulados ao longo do dia.
A grelina, hormônio ligado à fome, atinge um pico natural justamente nesse horário da manhã. O resultado é um impulso fisiológico difícil de ignorar.
Mesmo assim, existem estratégias para driblar o desejo repentino por açúcar. A nutricionista Daniela Capelato defende ajustes simples na rotina alimentar para evitar picos de fome.
Por que o desejo aparece antes do meio-dia
Algumas horas após a última refeição, a grelina sobe e sinaliza a necessidade de combustível. Em muitas pessoas, esse sinal ganha força entre 10h30 e 11h.
Quando o café da manhã é fraco em proteínas e gorduras, ou nem acontece, o cérebro pede energia rápida e o açúcar vira atalho.
Contudo, é melhor não atender ao pedido do corpo. Doces elevam a glicose em minutos e trazem prazer momentâneo, mas a queda brusca que se segue cobra a conta. Esse sobe e desce confunde os sinais de saciedade e sobrecarrega o fígado.
Com o tempo, o excesso vira estoque de gordura, favorecendo a esteatose hepática, a resistência à insulina e o ganho de peso.
Café da manhã que evita o ciclo de altos e baixos
Capelato ressalta que não basta comer menos; é preciso distribuir melhor. Quando o corpo está mais ativo, ele usa melhor as calorias. Por isso, investir mais no início do dia ajuda a estabilizar a fome, enquanto exageros noturnos tendem a aumentar o armazenamento de gordura.
Após o jejum noturno, a glicose baixa naturalmente, então um café da manhã equilibrado organiza o dia. Inclua proteínas e gorduras para saciedade com ovos, iogurte natural, queijos, oleaginosas, abacate e sementes.
Evite pular a refeição ou baseá-la em pão branco, bolos e bebidas açucaradas. Segundo Capelato, estudos associam uma manhã mal alimentada a um maior descontrole ao longo do dia.
Lanche das 11h: estratégia, não belisco
Nem todo mundo precisa do lanche das 11h, mas algumas rotinas se beneficiam. A decisão depende do intervalo entre as refeições, do nível de atividade e da sensação de fome. Quando indicado, combine pequenas porções de proteína, fibra e gordura para atravessar a manhã sem exageros.
- Frutas acompanhadas de oleaginosas.
- Iogurte natural com sementes.
- Ovo cozido.
Ritmo circadiano e o jantar
O relógio biológico favorece uma maior eficiência metabólica durante o dia. À noite, a digestão desacelera e a tolerância a carboidratos diminui; portanto, compensar as calorias no jantar costuma sair caro.
Concentre refeições mais robustas de manhã e no almoço, e mantenha o jantar leve.
Entender a grelina e ajustar horários muda o jogo contra a síndrome de Souquet. Com escolhas consistentes, o pico das 10h30 às 11h perde força. Planeje o café da manhã, avalie a necessidade do lanche e, sobretudo, alinhe as refeições ao seu gasto energético.