A inatividade física saiu do campo individual e virou alerta mundial. Dados reunidos por pesquisadores e divulgados na The Lancet Global Health mostram que quase um terço dos adultos não se movimentou o suficiente em 2022.
No total, cerca de 1,8 bilhão de pessoas ficaram abaixo do mínimo recomendado, sendo consideradas sedentárias.
O retrato também revela piora contínua. Entre 2010 e 2022, o sedentarismo avançou cerca de cinco pontos percentuais, indicando que hábitos mais parados ganharam força na última década. Assim, o problema deixou de ser pontual e passou a seguir uma curva persistente.
Se nada mudar, a projeção é ainda mais preocupante. Até 2030, a taxa global pode chegar a 35%, cenário que ameaça diretamente a meta da OMS de reduzir o sedentarismo em 15% até o fim da década e expõe riscos crescentes à saúde coletiva.
Métricas da OMS e riscos clínicos
Para ser classificada como fisicamente ativa, a pessoa deve acumular, por semana, ao menos 150 minutos de atividade moderada, como caminhada acelerada. Alternativamente, também valem 75 minutos de esforço vigoroso, a exemplo de corrida.
O estudo da OMS analisou a evolução da inatividade ao longo de doze anos e reuniu dados de múltiplos países. Essas tendências embasam decisões de saúde pública.
A cardiologista Patrícia Alves de Oliveira, do Hospital Sírio-Libanês, classifica o quadro como uma ameaça silenciosa. Segundo ela, o sedentarismo aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e cânceres de mama e cólon.
O impacto causado por esse estilo de vida pode ser equiparado ao de condições como hipertensão, obesidade e colesterol elevado.
Sedentarismo no Brasil
A situação preocupa ainda mais no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 47% dos adultos são sedentários, enquanto entre jovens o percentual atinge 84%.
Com esses números, o país ocupa o quinto lugar no ranking global de sedentarismo e lidera na América Latina.
De acordo com especialistas, tecnologia e rotina digital contribuem para o problema. O uso prolongado de celulares, computadores e televisões aumentou o tempo sentado e piorou o sono. Consequentemente, isso favorece a elevação da pressão arterial e o ganho de peso.
Caminhos práticos para reverter a tendência
Ninguém precisa virar atleta para reduzir riscos e ganhar saúde. Pequenas mudanças diárias acumulam resultados e quebram o ciclo de inatividade. Além disso, ajustes simples no trabalho e nos trajetos ajudam a alcançar as metas semanais propostas pela OMS.
- Fazer pausas periódicas para se levantar durante o expediente.
- Preferir as escadas ao elevador, sempre que possível.
- Caminhar em trajetos curtos para substituir deslocamentos rápidos.
- Reduzir o tempo sentado ao longo do dia e somar minutos ativos.
Se o ritmo atual continuar, a inatividade poderá alcançar 35% dos adultos até 2030, pressionando sistemas de saúde. Portanto, governos, empresas e cidadãos precisam agir de forma coordenada para monitorar metas e ampliar o acesso a espaços ativos.