O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido a volta do carro popular ao mercado brasileiro. O assunto também é interessante para fabricantes e concessionárias, já que o cenário atual é de suspensões na produção e forte queda nas vendas.
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As discussões surgiram pela primeira vez quando a Fenabrave, associação dos revendedores de veículos, levou o tema ao Ministério do Desenvolvimento (Mdic). A pasta ainda não comentou o assunto.
O governo estuda preços na casa dos R$ 45 mil a R$ 50 mil, segundo fontes do mercado. O modelo seria pequeno, simples e “pelado”, ou seja, sem alguns itens tecnológicos presentes nos carros de entrada atualmente.
Em discurso na semana passada, Lula criticou os preços atuais. “Qual pobre pode comprar carro popular por R$ 90 mil?”, perguntou. Hoje, o Fiat Mobi e o Renault Kwid são os automóveis mais em conta do país, ambos saindo por cerca de R$ 69 mil.
A questão é especialmente importante para as montadoras e revendedoras, que vivem um cenário de queda nas vendas, estoques cheios e paralisações na produção. Somente em abril, nove fábricas dispensaram suas equipes por até um mês.
Carro popular de R$ 50 mil é possível?
O preço proposto “só seria viável se o governo cortasse imposto”, segundo o consultor da S&P Global Brasil, Fernando Trujillo. No atual quadro fiscal do Brasil, a medida será bem difícil. Para baixar os custos, outra ideia é remover alguns itens de segurança ou tecnológicos, o que também não deve ser aceito, já que existem normas em vigor.
Críticos do tema afirmam que nenhuma alteração, por maior que seja, pode reduzir os preços em até R$ 20 mil, que é a diferença entre o carro mais barato do mercado hoje e o preço que o governo deseja alcançar. Mesmo simplificando materiais e processos, o custo ainda é muito alto.
Há também a possibilidade de lançamento de um “carro verde” movido exclusivamente a etanol, visando reduzir as emissões. Nesse caso, é possível haver incentivo tributário para ampliar o uso do biocombustível e incentivar o consumidor a comprar o modelo.
Apoio das montadoras não é unanimidade
Fabricantes de veículos como a Stellantis (Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën) apoiam a proposta de reviver o carro popular. Já a General Motors parece não estar tão empolgada com a ideia.
“Se perguntarmos para o brasileiro se ele quer um carro menor, menos tecnológico, certamente a resposta será não”, disse o presidente da GM, Santiago Chamorro. Ele defende a criação de melhores condições de crédito para que os consumidores comprem os modelos já existentes.
Um consumidor brasileiro gasta entre 24,7% e 32,3% do valor final do veículo somente em impostos (IPI, ICMS e PIS/Cofins). Na Espanha, por exemplo, os tributos correspondem a 17,3% do preço. Já nos EUA, apenas 6,8%.