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Crise atual é pior, então por que caminhoneiros não repetem greve de 2018?

Paralisação da categoria em 2018 durou 11 dias e causou desabastecimento de mercadorias em todo o Brasil.



A última greve dos caminhoneiros, ocorrida entre maio e junho de 2018, deixou impactos que ainda são lembrados pelos brasileiros. Um dos principais foi o desabastecimento de combustível em todo o país, com impacto de R$ 15,9 bilhões na economia, segundo a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

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Atualmente, o cenário é ainda pior do que há quatro anos, com profissionais desistindo de rodar por falta de retorno mínimo. Se as reivindicações da categoria são tão parecidas com as da greve passada, por que uma nova paralisação não acontece?



Demandas e conquistas

Em 2018, os caminhoneiros conseguiram subsídios no óleo diesel, além de redução dos impostos federais PIS e Cofins. Outra conquista foi uma lei que prevê a revisão semestral do preço do combustível considerado na tabela, além da revisão extraordinária do valor quando a correção do diesel for igual ou superior a 10%.

Contudo, uma Medida Provisória assinada pelo presidente Jair Bolsonaro na última semana alterou esse percentual. A partir de agora, a revisão extraordinária só será feita quando o aumento for superior a 5%.

“Ganhamos tudo em legislação, mas não levamos nada na prática. Por descompromisso do governo e dos agentes que deveriam fiscalizar as leis produzidas. A realidade dos caminhoneiros hoje é tão dramática ou pior que a de 2018, basicamente por causa do preço do diesel, que é o maior insumo na planilha de custos”, lamenta Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL).

Segundo ele, o diesel representa de 40% a 65% do custo dos profissionais, de acordo com a idade do caminhão.



Nova greve

Segundo Dahmer, o que impede a deflagração de uma nova paralisação são as medidas adotadas pelo governo. “A movimentação para uma greve bate no estado repressivo que esse governo representa, não no sentido de utilizar a força física, mas a força econômica. O governo coloca o aparato do estado para reprimir a greve através de pesadíssimas multas, que chegam a R$ 100 mil, para participantes do evento. Não é falta de coragem, mas falta de poder econômico para pagar as multas”, explica.

“A realidade de hoje é muito diferente da de 2018, está muito pior. Em 2018 não tínhamos essa inflação galopante, o câmbio estava controlado, o que pegou mesmo foi o início do PPI da Petrobras. Hoje não temos controle do câmbio e a política de preços da Petrobras está dizimando os caminhoneiros autônomos, esmagando a classe média e deixando os pobres cada vez mais pobres”, diz Wallace Landim Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (ABRAVA).

“Muitos já estão parados em casa porque não têm condições de rodar. Caminhão quebrado sem manutenção, colocando em risco sua vida e a de terceiros”, completa.




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